O verão impõe desafios significativos para a conservação de peças de vedação, especialmente as fabricadas em elastômeros, como borrachas NBR, EPDM, FKM e Silicone. As altas temperaturas, a maior incidência de raios UV e a tendência natural ao ressecamento tornam essa época do ano um período crítico para a integridade e a vida útil desses componentes. A seguir, detalhamos os principais riscos e as práticas recomendadas para garantir o bom desempenho das peças durante os meses mais quentes.
Riscos da exposição aos raios UV e luz solar
A exposição direta ou prolongada à luz solar, mesmo em ambientes de armazenamento que recebem luz indireta, é um dos maiores vetores de degradação da borracha. Os raios UV possuem energia suficiente para iniciar a quebra das cadeias moleculares dos polímeros, um processo conhecido como fotodegradação.
Os principais efeitos visíveis da fotodegradação incluem:
- Rachaduras superficiais: Criação de microfissuras na superfície, facilitando a penetração de contaminantes.
- Endurecimento e perda de elasticidade: O material se torna rígido e quebradiço, perdendo sua capacidade de recuperar a forma original e de manter a força de compressão necessária para a vedação.
Mesmo materiais como o FKM (Viton), resistentes quimicamente, podem sofrer com a exposição prolongada à radiação UV, necessitando de proteção.
Calor excessivo e ressecamento da borracha
As altas temperaturas do verão, especialmente em armazéns sem climatização adequada, aceleram as reações químicas internas dos elastômeros (degradação térmica).
O calor afeta a vedação de duas maneiras principais:
- Perda de memória elástica (Compression Set): A exposição contínua ao calor elevado faz com que a borracha perca permanentemente sua capacidade de retornar ao seu formato original após ser comprimida. Isso é crítico, pois a força de reação da borracha é o que mantém a vedação. Uma peça que sofre compression set torna-se ineficaz, mesmo que pareça intacta.
- Volatilização de Aditivos: O calor pode acelerar a evaporação de plastificantes e outros aditivos essenciais incorporados na borracha para mantê-la flexível. A perda desses componentes leva ao ressecamento, tornando o material rígido, propenso a rachaduras e com baixa resiliência.
ATENÇÃO: Temperaturas de armazenamento que excedem 30°C já são consideradas de risco para a maioria dos elastômeros padrão.
Dicas essenciais de armazenamento correto
Para mitigar os riscos do verão e garantir que as peças mantenham suas propriedades originais até o momento da instalação, é fundamental seguir rigorosamente as diretrizes de armazenamento, que se alinham à norma ISO 2230.
- Controle de temperatura: Mantenha a área de armazenamento o mais fresca possível, idealmente abaixo de 25°C. Evite flutuações bruscas de temperatura.
- Proteção contra a luz: Armazene as peças em embalagens opacas ou caixas de papelão vedadas. Se o armazenamento for em prateleiras abertas, o ambiente deve ter iluminação artificial de baixa intensidade e livre de UV (evitando luzes fluorescentes ou solares diretas).
- Controle de umidade: O ambiente deve ser seco, com níveis de umidade relativa do ar abaixo de 75%, para prevenir a hidrólise de certos materiais e a formação de fungos.
- Sem tensão mecânica: As peças devem ser armazenadas em sua forma natural, sem compressão, estiramento ou dobras. Deformações causadas pelo empilhamento ou suspensão podem gerar stress set permanente, comprometendo a vedação.
- Longe de fontes de ozônio: Evite armazenar vedantes perto de motores elétricos, equipamentos de soldagem ou qualquer aparelho que possa gerar ozônio, pois este é um poderoso agente de degradação da borracha.
Ao adotar essas medidas preventivas, as empresas garantem não apenas a conformidade do produto, mas também a confiança e a segurança de suas aplicações finais, independentemente das condições climáticas externas. A qualidade da Vedatec se mantém desde o processo de fabricação até o uso final.